CDI
Certificado de Depósito Interbancário

O que é CDI?

O CDI, sigla para Certificado de Depósito Interbancário, é um tipo de empréstimo realizado entre os bancos, cujas taxas de juros negociadas servem como base para calcular a Taxa DI. Essa taxa é amplamente utilizada na rentabilidade de diversos tipos de investimentos de renda fixa.

Há uma certa confusão entre os nomes "CDI" e "Taxa DI", pois muitas vezes é dito que um determinado investimento rende um determinado percentual do CDI, mas na verdade ele rende um percentual da Taxa DI. Popularmente, os termos acabam representando a mesma coisa.

O funcionamento do CDI é semelhante a um contrato de empréstimo, mas possui um prazo muito curto, geralmente de 1 (um) dia. Um dos motivos pelo qual esses empréstimos precisam ser realizados é para ser atendida uma determinada norma do Banco Central. A norma define que, ao final do dia, os bancos não podem ficar com o saldo negativo em caixa.

Todos os empréstimos realizados entre os bancos são registrados na B3, a bolsa de valores oficial do Brasil. Essa é a instituição que calcula e publica a taxa média de juros praticadas nessas operações, no caso, a Taxa DI.

A relação do CDI com a Taxa Selic


Assim como qualquer tipo de empréstimo monetário, quando os bancos realizam os empréstimos interbancários, é acordado um valor para os juros da operação. Nesse acordo, é utilizada como referência a taxa básica de juros da economia, a Taxa Selic. A Taxa Selic é de responsabilidade do Comitê de Política Monetária (COPOM), o qual é um órgão interno do Banco Central.

A cada 45 dias (9 vezes ao ano) esse comitê se reúne para discutir o cenário da inflação no país e tomar decisões sobre os rumos da política monetária, dentre elas, a definição de uma meta de valor para a Taxa Selic.

Dessa forma, ocorre que:

  • Se o COPOM aumenta a Taxa Selic, os bancos aumentam os juros praticados no CDI. Consequentemente, a Taxa DI também sobe;
  • Se o COPOM diminui a Taxa Selic, os bancos diminuem os juros praticados no CDI. Consequentemente, a Taxa DI também cai.

Portanto, quanto maior for a Taxa Selic, maior tende a ser a Taxa DI. Esses índices acabam tendo valores bem próximos um do outro, sendo que a Taxa DI sempre é ligeiramente inferior à Taxa Selic.

Como é calculado o CDI?


Diariamente, a B3 calcula a Taxa DI a partir da média ponderada dos juros praticados nos empréstimos interbancários. Os detalhes da metodologia de cálculo da Taxa DI podem ser consultados no site da B3.

A partir dos valores diários da Taxa DI, é possível calcular os valores mensais, anuais e acumulados da taxa. Esses valores são comumente conhecidos como CDI mensal, CDI anual e CDI acumulado.

O valor anual do CDI costuma ser muito mencionado nas análises e discussões sobre a economia, pois ele é utilizado como base para o rendimento de diversos tipos de investimentos de renda fixa.

É possível simular a correção de valores pelo CDI através da Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Banco Central.

Publicações e valores do CDI


O valor atual do CDI é de 12,65% ao ano, um pouco menor que a Taxa Selic atual, que é de 12,75% ao ano. É comum que a diferença entre eles fique em torno de 0,10 ponto percentual. A próxima alteração desses valores ocorrerá em 15/06/2022, após a reunião do COPOM.

Com relação aos valores diários da Taxa DI, é possível consultá-los através do site da B3.

Quanto ao CDI mensal, é possível encontrá-lo no 1º dia do mês seguinte ao mês de referência. O valor referente ao mês de abril de 2022 foi de 0,83%.

Quanto aos valores acumulados no ano passado e no ano atual:

  • O valor acumulado do CDI em 2021 foi de 4,42%;
  • O valor acumulado do CDI em 2022 é de 3,29%, considerando os valores deste ano até o mês de abril;

Para consultar todos os valores históricos do indicador, acesse a página Valores do CDI da Brasil Indicadores.

Diferença entre CDI e CDB


O CDB, sigla para Certificado de Depósito Bancário, é um título de renda fixa emitido por bancos e algumas instituições financeiras com o objetivo de captar recursos. Através dele, investidores compram os títulos como se estivessem emprestando um determinado valor para aquela instituição, aguardando uma rentabilidade atrelada a um determinado valor de juros, após um prazo definido.

Devido à semelhança entre os termos CDB e CDI, há uma certa confusão sobre o que significam. Abaixo há uma explicação objetiva quanto a cada um:

  • CDB: título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos de investidores, que podem ser tanto pessoas físicas quanto jurídicas;
  • CDI: título emitido por bancos para registrar um empréstimo para outro banco;

Além da semelhança no nome, eles estão diretamente relacionados, pois grande parte dos CDBs possuem a rentabilidade atrelada ao CDI.

CDI e os investimentos


É muito comum que alguns investimentos sejam divulgados com sua rentabilidade atrelada ao CDI, normalmente como "100% do CDI", "110% do CDI", "120% do CDI", etc... Porém, é importante lembrar que tais investimentos na verdade rendem um percentual da Taxa DI. Conforme explicado anteriormente, o valor da Taxa DI é oriundo das operações com os Certificados de Depósito Interbancário.

Normalmente, as aplicações financeiras atreladas ao CDI fazem parte dos investimentos popularmente conhecidos como "renda fixa". Renda fixa é todo tipo de investimento que tem as regras de rendimento definidas antes da aplicação. Ou seja, no momento de aplicar, o investidor já sabe a taxa e/ou o índice de rendimento, além do prazo de vencimento.

Nos tópicos abaixo são apresentadas algumas categorias de investimento de renda fixa que possuem rentabilidade atrelada ao CDI.

CDB

Os CDBs, já apresentados anteriormente, são os Certificados de Depósito Bancário. São títulos emitidos pelos bancos para levantar recursos para suas operações. Os papéis dos grandes bancos normalmente exigem uma aplicação inicial baixa (inferior a R$ 1 mil). Na maior parte das vezes, são pós-fixados e remuneram os investidores com um percentual da taxa do CDI. Os rendimentos são tributados pela tabela regressiva do Imposto de Renda, com alíquotas de 22,5% a 15%. Têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

LCI e LCA

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) lembram bastante os CDBs, porque também são emitidas pelos bancos – desde que tenham alguma atividade de crédito relacionada ao setor imobiliário ou do agronegócio. Essas operações lastreiam a emissão de LCIs e LCAs. Elas contam com a cobertura do FGC. As letras de crédito pós-fixadas, atreladas ao CDI, são as mais comuns. Em geral, a remuneração que oferecem fica um pouco abaixo da de outros produtos de renda fixa. Isso acontece porque as LCIs e LCAs são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas. Com essa vantagem, mesmo que tenham uma rentabilidade menor, as letras continuam atrativas para os investidores.

Debêntures

As debêntures também são títulos de crédito, negociados no mercado de capitais. Uma diferença fundamental entre elas e os papéis de bancos são os emissores – que são as empresas. Normalmente, os recursos servem para financiar grandes projetos. Por isso, as debêntures costumam ter um vencimento mais longo que outros produtos de renda fixa. Muitas debêntures são pós-fixadas e remuneram os investidores com um percentual do CDI. A maioria delas é tributada pela tabela regressiva do Imposto de Renda, com uma exceção: as debêntures incentivadas, usadas para captar recursos para a realização de grandes obras de infraestrutura no país, são isentas de tributos. Esses papéis não são cobertos pelo FGC.

CRI e CRA

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) do Agronegócio (CRAs) são títulos securitizados de renda fixa. Os CRIs são lastreados em recebíveis do setor imobiliário – como financiamentos de imóveis, por exemplo. Já o lastro dos CRAs são recebíveis ligados ao agronegócio – como empréstimos para viabilizar a produção de determinada cultura. Para você entender melhor, imagine uma construtora que esteja recebendo por um apartamento que vendeu parcelado. Quem comprou se comprometeu quitar a dívida ao longo de vários meses, mas a construtora pode precisar do dinheiro antes disso. Para antecipar os recursos, é possível “empacotar” os recebíveis em um CRI e vendê-lo no mercado. A dívida, assim, é transferida para outro credor e o dinheiro é obtido mais rapidamente. Muitos CRIs e CRAs são atrelados ao CDI. Uma vantagem desses produtos é que eles também são isentos de Imposto de Renda, como as LCIs e LCAs. Mas não são cobertos pelo FGC.

Fundos simples

Os fundos de renda fixa simples precisam investir ao menos 95% do patrimônio em títulos públicos federais, títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras com classificação de risco semelhante à dos títulos públicos (como CDBs de grandes bancos) ou operações compromissadas lastreadas nesses papéis ou em títulos públicos. Sua meta é acompanhar o desempenho da taxa do CDI, sem a possibilidade de cobrança de taxa de performance (apenas taxa de administração). Só podem usar derivativos para proteger a carteira contra perdas e volatilidade e não é permitido que realizem investimentos no exterior. São voltados para investidores conservadores ou iniciantes no mercado.

Indicadores relacionados ao CDI


Perguntas frequentes sobre o CDI


CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário, que representa um tipo de empréstimo realizado entre os bancos. A taxa de juros negociada nestes empréstimos serve como base para o cálculo de rentabilidade de diversos investimentos de renda fixa.
O CDI hoje está em 12,65% ao ano e a próxima alteração deste valor ocorrerá em 15/06/2022. Para consultar todos os valores históricos e acumulados: Valores do CDI.
O CDI tem o objetivo de registrar certas operações de empréstimo realizadas entre os próprios bancos. Por consequência, a taxa de juros definida nestes empréstimos é amplamente utilizada na rentabilidade de diversos investimentos de renda fixa.
Dizer que um investimento rende 100% do CDI significa que, durante o período que o investidor manteve o valor aplicado, seu montante renderá exatamente o mesmo percentual de CDI publicado pelo Banco Central durante tal período.
O cálculo do CDI, que na verdade é o cálculo da Taxa DI, é realizado diariamente pela B3, a partir da média ponderada dos juros praticados nos empréstimos interbancários. Com base nos valores diários da Taxa DI, é possível calcular os valores mensais, anuais e acumulados do índice.