IPCA
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

O que é IPCA?

O IPCA, sigla para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, é um indicador econômico calculado pelo IBGE para medir a variação de preços de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo. Atualmente, é considerado o indicador oficial da inflação no Brasil.

Criado em 1979, o IPCA visa avaliar o custo de vida das pessoas que residem nas áreas urbanas do país. Para isso, o índice tem como alvo as famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, abrangendo assim cerca de 90% das famílias que vivem em áreas urbanas. Devido a essa grande abrangência populacional, o indicador leva o nome de "amplo".

Como é calculado o IPCA?


O cálculo do IPCA é realizado mensalmente pelo IBGE e tem como base os preços cobrados por uma lista específica de produtos e serviços. Ao todo são 377 itens na lista, incluindo desde arroz e feijão até roupas, mensalidades escolardses, aparelhos eletrônicos e gasolina.

Durante o 1º e 30º dia de cada mês, os preços desses itens são coletados em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, além de concessionárias de serviços públicos e até diretamente nos domicílios, no caso da consulta aos preços de aluguel e condomínio.

No cálculo do índice, cada item possui um peso maior ou menor, variando de acordo com sua presença na cesta de consumo média da população.

Segmentos dos produtos e serviços pesquisados

Os itens presentes na pesquisa estão divididos em nove segmentos, apresentados abaixo junto aos pesos correspondentes:

  • Transportes
    (Peso: 20,6%)
  • Alimentação e bebidas
    (Peso: 19,35%)
  • Habitação
    (Peso: 15,59%)
  • Saúde e cuidados pessoais
    (Peso: 13,53%)
  • Despesas pessoais
    (Peso: 10,73%)
  • Educação
    (Peso: 6,15%)
  • Comunicação
    (Peso: 5,71%)
  • Vestuário
    (Peso: 4,58%)
  • Artigos de residência
    (Peso: 3,75%)

A regra de atribuição dos pesos aos itens tem como base a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Essa pesquisa, que também é realizada pelo IBGE, procura medir o padrão de consumo da população, indicando o peso que cada tipo de gasto representa no orçamento médio das famílias.

Cidades pesquisadas

A pesquisa de preços é realizada apenas em algumas cidades brasileiras e também é atribuído um peso específico para cada uma na composição do IPCA:

  • São Paulo
    (Peso: 32,28%)
  • Belo Horizonte
    (Peso: 9,69%)
  • Rio de Janeiro
    (Peso: 9,43%)
  • Porto Alegre
    (Peso: 8,61%)
  • Curitiba
    (Peso: 8,09%)
  • Salvador
    (Peso: 5,99%)
  • Goiânia
    (Peso: 4,17%)
  • Brasília
    (Peso: 4,06%)
  • Belém
    (Peso: 3,94%)
  • Recife
    (Peso: 3,92%)
  • Fortaleza
    (Peso: 3,23%)
  • Vitória
    (Peso: 1,86%)
  • São Luís
    (Peso: 1,62%)
  • Campo Grande
    (Peso: 1,57%)
  • Aracaju
    (Peso: 1,03%)
  • Rio Branco
    (Peso: 0,51%)

É importante ressaltar que, apesar de não ser calculado em todo o país, o IPCA tem abrangência nacional, ou seja, vale para todas as regiões e cidades.

Publicações e valores do IPCA


As publicações do IPCA são realizadas mensalmente e seguem um calendário específico. O último valor mensal publicado foi de 1,06%, referente a abril de 2022. A próxima publicação ocorrerá em 09/06/2022 e será referente a maio de 2022.

O valor atual do IPCA é 12,13% ao ano, que representa o valor acumulado do índice nos últimos 12 meses. Com relação aos valores acumulados no ano passado e no ano atual:

  • O valor acumulado do IPCA em 2021 foi de 10,06%;
  • O valor acumulado do IPCA em 2022 é de 4,29%, considerando os valores deste ano até o mês de abril;

Para consultar todos os valores históricos do indicador, acesse a página Valores do IPCA da Brasil Indicadores.

Onde o IPCA é utilizado?


O IPCA é um dos indicadores mais conhecidos no Brasil. Uma das suas utilizações mais comuns é no cálculo de rendimento de aplicações financeiras, ou seja, em investimentos. Também é possível encontrar o IPCA como índice de reajuste de contratos, como exemplo, nos contratos de aluguel de imóveis e nos de empresas prestadoras de serviços.

A seguir são apresentadas algumas dessas formas de utilização.

Investimentos atrelados ao IPCA

Normalmente, as aplicações financeiras atreladas ao IPCA fazem parte dos investimentos popularmente conhecidos como "renda fixa". Renda fixa é todo tipo de investimento que tem as regras de rendimento definidas antes da aplicação. Ou seja, no momento de aplicar, o investidor já sabe a taxa e/ou o índice de rendimento, além do prazo de vencimento.

Existem três modalidades de renda fixa:

  • Renda fixa pré-fixada: trabalha com uma taxa fixa e definida no momento da aplicação. Desta forma, o investidor sabe exatamente o quanto seu dinheiro renderá ao ficar com o ativo até o vencimento;
  • Renda fixa pós-fixada: está atrelada a algum indicador, como a Taxa Selic ou o CDI. Neste caso, os retornos exatos são conhecidos apenas no resgate da aplicação;
  • Renda fixa híbrida: combina uma taxa fixa e um indicador, como o IPCA. Os rendimentos exatos também só são conhecidos no resgate.
A grande vantagem dos investimentos com rentabilidade atrelada ao IPCA é porque naturalmente o valor aplicado estará "protegido" da inflação. Isso significa que, mesmo ocorrendo uma alta inflação no período em que o investidor manteve o valor aplicado, ao resgatá-lo, receberá rendimentos compatíveis ou superiores com o aumento da inflação.

Nos tópicos abaixo são apresentadas algumas categorias de investimento de renda fixa que possuem rentabilidade atrelada ao IPCA.

Títulos públicos (Tesouro Direto)

Os títulos públicos são ativos de renda fixa emitidos pelo Governo Federal através do Tesouro Direto e têm o objetivo de captar recursos financeiros para financiar as atividades do governo.

Esses títulos estão disponíveis para compra por pessoas físicas, como forma de investimento. Em troca, o governo paga uma remuneração aos seus investidores.

Há duas categorias de títulos que possuem rentabilidade atrelada ao IPCA:

  • Tesouro IPCA+
  • Tesouro IPCA+ com juros semestrais

CDB

Sigla para Certificado de Depósito Bancário, o CDB é um título de renda fixa emitido por bancos e por algumas instituições financeiras com o objetivo de captar recursos para financiar suas atividades, como projetos e pagamento de dívidas.

Como nos títulos públicos, investidores compram os CDBs aguardando uma rentabilidade atrelada a uma determinada taxa de juros, após um prazo pré-definido, semelhante a uma operação de empréstimo. Boa parte dos CDBs utiliza o IPCA como taxa de juros para a remuneração ao investidor.

LCI e LCA

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são similiares aos CDBs, também são emitidas pelos bancos, mas seus recursos captados são direcionados para financiar empreendimentos e atividades de setores específicos. No caso das LCIs, para o setor imobiliário, e as LCAs para o agronegócio.

Debêntures

Debêntures são títulos emitidos por empresas, exclusivamente as Sociedades Anônimas (SA), que precisam captar recursos para financiar suas operações e projetos de expansão.

Grande parte das debêntures emitidas nos últimos anos têm a remuneração atrelada ao IPCA.

Fundos de inflação

Os fundos de inflação são fundos de investimento que investem prioritariamente em títulos de renda fixa atrelados à indicadores de inflação, como o IPCA e o IGP-M.

Alguns dele são atrelados ao IMA-B (Índice de Mercado ANBIMA), um indicador calculado pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que mede o desempenho dos Títulos Públicos indexados ao IPCA, os chamados "Tesouro IPCA+", citados anteriormente neste artigo.

CRI e CRA

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e os Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRAs) são títulos cujos recursos captados tem o mesmo direcionamento das LCIs e LCAs, no caso, os setores imobiliário e agrícola respectivamente.

A principal diferença é que esses títulos são emitidos exclusivamente por companhias securitizadoras, que são instituições não financeiras. Devido a isso, os certificados não têm garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A rentabilidade desses ativos está normalmente atrelada à Taxa Selic, ao CDI ou ao IPCA.

Reajuste de contratos pelo IPCA

O IPCA também pode ser encontrado como fator de reajuste de contratos e serviços, como:

  • Contratos de aluguel de imóveis;
  • Contratos de empresas prestadoras de serviço;
  • Reajuste das parcelas de IPTU.

Indicadores relacionados ao IPCA